Lobisomem
03:31:00
A Lua já nasceu. Com ela brotaste tu. Sei que aparecerás depois
da meia-noite e que eu me apressarei para ir ao teu encontro – o sapato cai nas
escadas e eu continuo a corrida contra o tempo que não pára. Tu irás
encontrá-lo e o jogo para o tempo cessar começará.
Abro a porta para o exterior e aí me esperas tu - o diabo em figura de gente que procura invadir
o meu interior.
Vou ter medo de não ver a tua pele – apenas o negro da
noite. Ficarei apavorada com a sombra que não deitarás em mim. Mas seguirei na
tua direção com a visão nula. O coração irá quebrar de medo e eu tocar-te-ei na
tua essência.
A escuridão irá falecer e as minhas pernas tornar-se-aõ
fraqueza assim que me fizeres tremer. Saberei que, quando me tocares, a vida
surgirá e que, na minha pele, vais ser imortal. O tempo passará a ser-te servo,
eu seguirei o seu rumo. A natureza da mente é tudo menos razão.
Vais desembrulhar-me os cabelos, enquanto eu me embrulho
em ti. Vais esfriar a minha espinha, enquanto me aqueces os desejos. Vais
arrepiar-me o corpo, espantar-me a boca. O mundo tornar-se-á branco e preto,
porque o pintámos com a nossa pele.
A realidade terá o credo na boca e eu terer-te-ei.
Seremos duas almas de outro mundo, regidas pela lei do silêncio. Seremos
macabros, nefandos. Eternos amantes da luxúria. Iremos arrefecer a mente e
encher-nos de dedos. Para que é que existem loucos da vida, quando podem ser
loucos dos corpos?
Entregar-nos-emos à guerra que nenhum perderá. Prender-te-ei
com as minhas pernas, tu com o teu abraço. Nunca tentaremos libertar-nos,
porque as vontades comandam as forças.

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