Perdida no mundo
16:48:00Deito-me na cama desarrumada e a insónia toma conta de mim. Penso no quanto esta cama se encontra desordenada pela ordem do nosso dia-a-dia. Eu levanto-me e tu já não te encontras ao meu lado. Adormeço e já não estás comigo. De que vale existir por mais um dia, se não te vivo nele? De que vale ser durante mais uma noite, se não te encontro nela?
Neste momento, só me posso embrulhar na camisola azul que me deste com o teu perfume. Pelo menos, desejava que assim fosse, mas a verdade é que é demasiado quente e, embora eu implore ao frio que este me abrace, ele recusa-se e nem um beijo na face me dá.
Deveria estar a ler aquele livro que tu me ofereceste, mas os meus olhos só pensam em ler-te. Estão proibidos. E assim, permaneço aqui, a escrever a maior história de amor com a personagem epicamente romântica. E assim, aqui fico eu, a escrever-te.
Sei que não temos um amor impossível digno de um Nobel da Literatura. Aliás, reconheço que não temos uma ponta de impossibilidade no nosso amor. Muito pelo contrário. Ao teu lado, tudo é possível. O céu é perfeitamente alcançável, o mar é raso, o fogo não queima. Contigo, o paraíso é o nosso lar, as profundezas são o nosso ar e as chamas são acesas pelos nossos corpos.
E, assim, mais uma noite passa. Comigo a escrever-te, sabendo que a minha arte nunca receberá um Nobel e, honestamente, reconhecendo que não poderia querer saber menos disso. Por tua causa. Porque tu fazes-me sentir como se subisse a um palco e tivesse o mundo inteiro a aplaudir-me, mas a verdade, meu amor, é que, mesmo que tivesse o universo inteiro a aclamar-me, tu serias a única pessoa que eu contemplaria.
Tu és dono dos meus olhos, das minhas mãos, dos meus lábios, do meu coração. Nunca serei dona de mim mesma, nem o pretendo ser. Existe maior glória do que a de te pertencer?
Não creio, não.
Tu fazes-me acreditar que eu posso conquistar o mundo. Mentira. Tu fizeste-me conquistar o mundo. Tenho-te aqui nas minhas mãos e és tão meu que não poderias ser de mais ninguém. Prometo que se um dia o mundo acabar, será com a ausência que deixaste em mim. No entanto, a madrugada irá surgir e tu estarás presente. Não precisarei da camisola azul que já não apresenta mais o teu cheiro e terei o teu perfume a abraçar-me. Finalmente, é altura de me perder pelo mundo.

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