Anjo Caído

05:07:00

Deito-me com o diabo na esperança de chegar ao Paraíso. Peco, já sem esperança de me confessar, porque sei que voltarei a pecar no seu corpo. Vejo o fogo nos seus olhos e a consciência esfria no seu toque quente. Ajeolho-me perante ele, sabendo que me deveria ajoelhar perante a divina imortalidade da tua pele. Mas tu és anjo, estás demasiado longe para te tocar na mão sequer. Na verdade, a única oração que faço é para que me caias aos pés. Serias o anjo caído que dançaria comigo nas trevas. Mas não és. Desejo-te incansavelmente, mas o diabo sacia o meu desejo. Trato-o como um Deus, o egoísmo da paixão comanda a minha vida. Sou dominada pelo prazer carnal, pela corrupção da pele, pelo extremismo da lascívia. Peço que se vingue no meu corpo, por ser a ti que quero castigar. És o descontrolo da minha mente, a intensidade da provocação. Sai desse teu pedastal e executa a minha vontade de ter debaixo de mim. Possuí-me como quem quer ter e tem, porque eu cobiço todos os que te conseguem alcançar. Não suporto a negligência de não voar nas tuas asas. Porque me deleito com o diabo na esperança de atingir o Paraíso? É verdade que ele me leva lá. Uma vez e outra. Que me inflama a pele, que me queima a boca e incendeia o excesso. Sirvo-o com a vontade de gemer indevidamente o teu nome. Satisfaço-o com a insensatez de te revoltar. Tenho o direito de viver, enquanto tu me tiras a vida, não? Ele chama-me novamente para ser vítima da culpa que é perder-me, e eu vou, cega pelo medo de me entregar ao eterno. Corta as tuas asas, prefiro arder no Inferno ao teu lado, do que o aprazo do Paraíso sem o teu toque. 


You Might Also Like

0 comentários

Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.