A paisagem de ti
15:10:00
Deixei
para trás a areia que deitei em ti, as mãos que decidiram banhar-te. Toca
alguma melodia a que não dou atenção no carro. Só atento no som da tua voz:
“não vás”. E eu fui. Arrastei os pés pelo passeio e esperei que me pegasses na
mão. Não aconteceu. Não virei a cara, não me apareceste à frente. O mar
levou-te e deixou-te comigo.
Um
semáforo. O carro pára. Observo o céu pintado e pergunto-me quem o trajou. O
sol do teu corpo, a falta de limites da tua arte – quem te desenhou?
Avanço
na estrada, recuo no tempo. Sei que todo eu estou à beira-mar, à beira-ti. No
entanto, tu não te encontras à minha beira.
As
luzes estão apagadas, não podes ser uma delas? Sinto-te tão acesa sob a minha
pele. O azul desce sob o céu, como tu descias sob o meu corpo. Cobre-me a
vista, é altura de fechar os olhos, viver-te na intensidade das memórias.
A
paisagem não me cativa. Deixei para trás o único cenário que me seduzia – a
areia na tua pele, a água que te lavou. Suspiro. Quando me lavas os pecados?
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