À beira (de te a)mar
14:48:00
As ondas batiam na costa, o mar abrupto e tu, tão tranquila.
Encontravas-te embrulhada no meu abraço. Brincavas com a minha pele. Suavizavas
o meu corpo. Feita criança, amavas-me debaixo dos teus dedos.
O teu cabelo parecia uma pintura, reflexo da maresia que
nos cobria. Eu beijava-te a testa e tu seguravas-me com mais força. Preso a ti
já estava, ao teu sorriso estava cativo, tornei-me escravo do teu olhar - olhei
a minha vida nos olhos, quando conheci o teu olhar.
O brilho da tua pele deslumbrava a minha demência.
Tornaste-te delírio constante, alucinação devota. A areia corria pelos teus
membros e eu invejava-a, personifação dos meus desejos.
Faltou beijar o teu corpo, pintado de pôr do sol.
As ondas balançavam na costa, o mar entorpecido e tu, tão
inquieta. Escondeste-te na segurança do meu corpo. Arrepiavas a minha pele.
Inocentavas o teu toque atrevido. Feita ingénua, querias-te nos meus dedos.
O teu rosto era arte, representação da beleza do desejo.
Eu vi-te, atraído pela pele que desnudavas perante mim. Hipnotizado contigo fiquei,
para o teu corpo estava chamado, fui convidado das tuas mãos - tive a minha vida nas mãos quando agarrei as
tuas.
A vivacidade do teu encanto levava-me ao extâse da fantasia.
Eras anseio do meu corpo, vontade da minha alma. Ajoelhaste-te a meu lado e eu
pensei que só eu poderia ser invejado, por te ter ali, tão perto.
Então fiz questão de beijar o teu corpo e pintar-te nos
meus lábios.
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