Problema matemático
04:05:00
O problema é
eu querer-te.
Desconhecer
a probabilidade de te propôr a minha pele e de a conseguires resolver com as
tuas mãos.
Desconhecer
o fim das tuas linhas. O teu corpo é o infinito que me oculta os sentidos.
Conhecer os
traços que não posso tocar, os limites que não me permites ultrapassar.
Conhecer a
superfície, quando poderia mergulhar na plenitude da tua figura.
Valorizar os
contornos da tua forma, os perímetros da tua perfeição. És a oposição da
antítese que decides ser.
Valorizar a
regularidade do teu interior e não saber a assimetria do teu feitio.
Ter a
determinação de eliminar a área que não ocupas. O espaço é inútil na tua
ausência.
Ter o risco
de não te poder tocar, com o perigo de saber que algures, te amo.
Esquecer a
decomposição da tua pele, a perdição das palavras não proferidas.
Esquecer a
racionalidade da filosofia, as regras que nunca foram necessárias.
Viver a
divisão a que me multiplicas, a perda da razão que a alma não corrige.
Viver o
empréstimo do meu corpo a quem sei que me vai deixar em dívida.
Não percebo
nada de Matemática.
Então apresento-te
este problema de algumas linhas. Não precisas de reler ou de calcular.
Só te peço a
solução de te ter.

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