Amor é apenas uma perspectiva de droga
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Droga é apenas uma perspectiva de te amar.
És a heroína que me retira o raciocínio, que me rouba a
concentração. És a hipérbole da sensação, a negligência da pele, o reflexo em
câmara lenta. És a ausência da dor, a rudeza da luxúria, o vazio da depressão.
És o crack que me esconde os pensamentos, a psicose do
desalento da cama vazia. És a esquizofrenia do contacto, a lesão da perceção, a
disfuncionalidade da clareza. És o contágio da vontade, a visita da morte, a
dependência do afecto.
És a cocaína que estimula a vida, o efeito da euforia de
te poder ter nos meus dedos. És o clímax do sentir, a excitação da ação, o
culpado do eclipse de energia. És a falta de sono, és a fome do meu corpo, a
pressão sobre o meu peito. És o descontrolo da minha pele, a perda de noção, a
alucinação constante.
És o ecstasy do delírio, a insensatez da visão. És a cor
do meu desejo, a forma da perfeição, o contorno da cobiça. És a avaria do
tempo, a arte do espaço, o pouco que parece demasiado. És a personificação do
prazer, a intensidade do medo, o furor do meu íntimo. És a personificação do divino,
o furto da vontade, a perseguição da minha boca.
Amor é a heroína que me seduz, o crack que me sufoca os
pensamentos, a cocaína que me esconde a respiração, o ecstasy que toca no meu
peito.
Amor é a dose excessiva que me perece, a overdose de mãos
enroladas no meu pescoço, a naturalidade do sufoco de te desejar.
Amor é apenas uma perspectiva de droga.

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