Não importava o que acontecesse, disse que estaria sempre ao teu lado

14:19:00

Não importava o que acontecesse, disse que estaria sempre ao teu lado, mas olho para o meu lado e vejo a cama vazia. Não há o teu perfume, a tua presença, nem a tua melodia. Uma cama desarrumada com lençóis vazios...
O vento ataca a janela e o oceano brota em mim. Fazes-me sempre este mal - o de chorar porque te perdi; o de chorar porque o vento que ataca lá fora, soa como o teu assobio.
Lembras-te de me tentares ensinar a assobiar? E eu tentava, mas nunca saía nada a não ser uma careta estranha da minha parte. E tu rias-te. E eu batia-te como quem te acaricia. E dizia-te "não gozes" como quem amua, quando, na verdade, am(u)a.
Não importava o que acontecesse, teria sempre os teus braços em meu redor, mas agora nada me rodeia. Rodo eu, pela cama, insatisfeita, impaciente, num descontrolo que só o meu cabelo conhece de já não ter o teu toque.
Lembras-te de como dançávamos nestes lençóis, agora vazios? Ou de como o nosso silêncio era estranhamente confortável? Lembras-te de como nunca precisávamos de palavras para nos compreendermos? Ou do calor do meu corpo junto do teu? 
Lembras-te das promessas e das juras? Nunca nos prometemos uma eternidade, nunca voámos ao ponto de nos podermos queimar, mas gostava que a terra não nos tivesse fugido dos pés, apesar de tudo. Fugiu e deixou que deixasses de precisar de mim ou do meu abraço. Fugiu e permitiu que fugisses com ela.
Não importa o que acontecesse, disse que estaria sempre ao teu lado, mas não te consegui acompanhar na fuga de mim. E aqui fico, ouvindo o vento tão semelhante ao teu assobio, na cama desarrumada, de lençóis vazios, onde me deixaste.


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.