Espaços

16:39:00

Estar no mesmo espaço que tu, magoa.
Não estar no mesmo espaço que tu, mata.
Sou capaz de não pensar em ti durante meses e só a possibilidade de poder vir a estar no mesmo espaço que tu, ocupa-me toda.
É de uma ânsia extrema que não me permite respirar nem me permite deixar de o fazer.
E ás vezes gostava de poder não respirar... Libertava-me da mágoa da tua presença e da morte da tua ausência.
A tua ausência é uma morte tão pequena, que eu só peço que ela me mate de uma vez. Mas nunca mata, porque a expectativa de ter a tua presença faz renascer tudo.
Milagres destes não deviam existir. Esperanças destas não deviam resistir.
Não podia apenas conformar-me com o que não tem retorno?
Ficar sentada e permitir-me morrer?
Não. Quando me convenço a morrer, a esperança alcança-me. É como um médico com falta de conduta moral, sempre à espera de me reanimar.
Não podias ficar pelo "animar" apenas?
Porque insistes em reanimar-me para esta morte onde não posso ver a sua respiração a absorver toda a minha?
Não há vida numa vida sem ele: morte, tudo morte.
E tudo em mim falha, falha tanto e nunca falha completamente.
Nem para falhar completamente sirvo.
Nunca me disseste que eu não era o suficiente, mas eu sinto-o de todas as maneiras.
É nessa sensação que me falha tudo: músculos, lágrimas, tremores...
E é nessa sensação que eu provo: não sou suficiente.
Anda, permite-me morrer.
Pelo menos, enquanto tenho o teu odor a percorrer-me.
Passaste por este corredor há pouco...
Já não sabia como cheiravas...
Não é triste não saber o odor de quem se ama?


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.