Vai
15:48:00Não tens razões para ficar? Vai, pois não ter uma razão para ficar é ter uma razão para ir. Por isso vai, vai e não voltes. Não quero voltar a depender do teu corpo, nem da tua alma. Especialmente, quando o teu corpo existe e a tua alma é inexistente. Não pretendo lutar pelo inexistente, pelo medíocre. Amar-te é amar o diabo, ou um servo deste. Só o diabo ou um servo deste não tem alma. Não desejo o Inferno. Adoro a maneira como me queimas e me fazes arder, mas recuso dedicar-me ao Inferno. Recuso dedicar-me a ti. Prefiro afogar-me na mágoa de te abandonar, do que me conformar com amor medíocre (isto se me amas). Memórias são o que restam. E já é demais o que resta. Toda a intensidade destas me faz falhar: a respiração, as pernas... E, assim, caio no chão e me conformo com o frio deste, que nada mais significa do que a tua ausência. Vai. Não quero que fiques. E contigo, leva tudo o que te mantém presente em mim: a minha alma existente e o meu corpo que já não te possui. Não pretendo ceder mais ás tuas vontades, mesmo que todas elas vão dar a mim. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", é tudo tão passageiro e tu nunca passas. Por isso, vai. Deixa-me culpar-te por me teres obrigado a amar o que tu não conseguiste amar. Vai, deixa-me ser um vazio que nunca se completará. Eu não me importo. Mas vai. Estou a chegar á beira da falésia e já me sinto segura para saltar... Sabes, quando se aposta tudo já é tarde para desistir. E aqui estou eu, a ver a vida perante os meus olhos e a falta dela que se resume na falta de ti. Peço-te que vás e tu nunca me deixas. Não totalmente. Se não vais tu, vou eu. Aqui me comprometo a afogar na mágoa de te abandonar. De vez.

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