Morte Adiada

12:32:00

Fazes-me viver tanto que me matas. 
É como se alcançasse um grau de felicidade tão extremo, que me esvazia...
E assim fico: vazia. Num vazio tão cheio de ti.
Nunca soube ficar vazia de ti.
Enches-me cada osso, cada pedaço de carne, cada textura de pele... 
A cada célula que morre, nasce uma que vive para ti. 
Só para ti.
E, assim, todo o meu corpo desperta na tua presença: os ossos que tremem, a carne que fraqueja, a pele que se arrepia... 
E, assim, todo o meu corpo nada é mais do que teu.
E todo o meu corpo te deseja e todo o meu corpo te espera alcançar.
O osso que treme, espera que tu o segures.
A carne que fraqueja, espera que tu a protejas.
A pele que se arrepia, espera teu calor.
Tudo em mim te espera. E tudo em mim se enche dessa espera, dessa expectativa tão longa...
Quando vens, para eu poder viver realmente esta morte?
Porque cada dia sem ti é insuportável.
É uma dor no peito, uma falha no mundo
E nada mais é do que uma morte adiada..
Por favor, mata-me de uma vez para eu poder viver a teu lado.





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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.