Indefinição: s.f.
15:05:00
O ser
procura a indefinição, eu apenas procuro a definição do teu corpo. Procuro pôr
as mãos no indefinível, conhecer o conceito dos teus contornos.
Com os anos
aparecem mais, com os anos conheço mais. Sempre desconfiei que os teus olhos
fossem o sol, agora confirmo-o, as ramificações raiem a tua pele – fonte da
minha vida.
Nasces nos
meus olhos, desaguas nas minhas mãos. São leves e pequenas, mas carregam o peso
de te amar. Tilinto os meus dedos nos teus, agarro-os, afasto-os, entrelaço-os
– todos os ramos de uma árvore a permitem viver. Eu vivo nos pequenos momentos
– naqueles em que te procuras definir e eu me desfaço das letras e digo: meu.
Não sou flor, nem me arrancaste as pétalas, mas aí tens a tua resposta: meu.
E a todos os
que me perguntarem o que é o amor... Bem, desculpa o escândalo, mas agarrarei
em todos os dicionários, deitar-los-ei no chão e nós deitar-nos-emos na cama de
palavras, para mostrar que a boca é a língua dos corpos.
Serão os
teus lábios que provarão o mundo. Serão os meus lábios que tocarão no além. As
linhas que jazem na tua figura contorcer-se-ão e mostrarei que a indefinição
está no corpo definido que se deita ao meu lado.
Aqui têm o
que procuram – a indefinição está na imprecisão das minhas mãos.

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