Eternidade

18:01:00

Em quantos momentos somos eternos? Qual é o limite do sempre? Há limite ou as regras vivem para morrer? Talvez a eternidade seja temporária. Afinal, o imortal vive para ser mortal. Os ponteiros passam... são eternos, o relógio é eterno, a passagem do tempo é eterna – então porque somos nós passageiros?
Em momentos me brotaste e me quiseste fazer eterna. O tempo não deixou - tão infindável, que perdeu o fio à meada. Como sabes o início de uma linha sem o novelo?
Algures te enrolei nos meus dedos e te suturei. Trapo falhado ou doente vencedor? Não sei, mas mostrei-te as minhas mãos, toquei na tua pele, e mostrei-te como se ganhava a eternidade.
“Apenas os mortos vão para o além”. Explica-lhes então, como te levantaste do túmulo e conheceste o que havia para além do horizonte. Os crédulos são o único enterro jazente na terra.
Longe de mim te encontro, perto te perco. Deixas-me encontrar-te para me perder? Ou perder-me para te encontrar? Depressa! Diz-me: é perda de tempo ou tempo de perder?
O temporizador avança e perder-te-ei no tempo que nunca mais foi do que permanente. A bússola está partida, mas sei que me encontrarás para desapareceres nos meus lençóis. Uma noite, um dia – não é perda de tempo, só tempo de perder. Sei que em toda a derrota ajoelhar-me-ei perante ti, e essa será a maior vitória da minha vida.
Ter-me-ás na palma da mão, eu ter-te-ei no céu da boca. Quem disse que o além se atingia em espírito? Corpos juntos cumprimentam os astros e despem o mundo.

Assim pergunto, em quantos momentos me tornaste eterna?


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.