Fumar mata, mas tu matas mais
03:20:00
Hoje luto contra a
funestação. Hoje não grito a plenos pulmões, prefiro torná-los esfumados. Hoje
não choro pela miséria que me tornaste, ou pelo dó que não tiveste. Hoje não
choro no ombro de ninguém, nem sou serva da tristeza. Hoje talvez grite aos
quatro cantos o filho da p*** que tu és! Já não tenho olhos rasos de água, nem
abro o eco para te chocar. Vou pegar na tua palavra e deitá-la no enterro, já
agora a ti. Hoje já não bato em todas as portas, não suspiro nem soluço. Hoje
vou ás ruas sem me atirar aos pés de ninguém. Hoje vou pôr gasolina no fogo,
fazer-te em cinzas. Vou puxar o fumo e, com certeza, não será do cachimbo da
paz. Beberei da fuligem, enquanto toca o requiem e te vestes de negro. Desta
vez não te rasgo as vestes. Fiz-te uma nova casa, é a tua última morada – a cidade
dos pés juntos te espera e eu espero-te com ela, deixa-me só acabar o meu
cigarro.

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