Todos os dias

11:18:00

Um dia disseste-me "eu não sei que mais posso ser", nessa tua voz melodiosa.
Tanto dia te tentei fazer perceber que não podias ser mais do que eras
Tanto dia me foste tudo, tanto dia não podias ser mais.

Um dia disseste-me "eu não sei que mais te posso dar", nessa tua voz incompreendida.
Tanto dia me deste tudo: até a noite.
Tanto dia me deste silêncio e voz, vida e morte... Tanto dia te deste.

Todos os dias, sentados, enrolados, parados, me dizias "mais"
E eu parava para entrar na tua pele alucinada - mais uma vez
E eu recomeçava o caminho em que não via fim - mais uma vez.

Todos os dias te pedia "faz-me acreditar"
E tu negavas, como quem já sabia que eu já acreditava
E eu, incrédula, não sabia como me desnudavas

Então, todos os dias, respondias-me "o teu olhar mentiu"
E tu chamavas-me para dançar até de madrugada
E eu agarrava a tua pele como se fosse a minha verdade absoluta

Todos os dias nos transformávamos em dois alucinados
Não sei se eras vício ou paixão
Mas matavas-me de saudade, fazias-me voar e cantar e dar...

Todos os dias eras o que podias ser.
Todos os dias davas o que podias dar.
Todos os dias eras o meu real sonho.

 


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.