Juro que vi a tua pele
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Juro que vi a tua pele por vales profundos e montes anuídos
No céu estava espelhado teu corpo. Como podia não
estar se és quem me leva ao Paraíso?
A terra pertence aos conservadores, aos inúteis, aos
racionais. Se te tivessem todas as madrugadas, saberiam como despertar para o
além.
Juro que vi a tua pele em tudo o que os meus olhos
alcançam.
No teu olhar estava refletido o infinito. Como podia
não estar, se és tu que me preenches constantemente?
Dança em meu redor e não me deixes tocar-te que não
quero pecar. Só quem te prova, sabe como é bom o Inferno.
Juro que vi a tua pele no cristalino amanhecer e na
pintura do anoitecer.
No astro celeste alastrava-se tua beleza. Como podia
não se alastrar, se és a obra de arte mais preciosamente criada?
Ao magnífico pertencem os artistas que te esculpiram
e te pintaram. Se não são eles deuses, não sei quem será.
Juro que vi a tua pele no sol que me inflama e na
chuva que me banha.
No natural ateava-se teu beijo. Como podia não se
atear, se não existiu chama maior do que a que provém dos teus lábios?
Mais que as estrelas, tu brilhas. Invades o mundo
como se este não fosse já teu. Ninguém sabe como o teu corpo percorre o
universo.
Juro que vi a tua pele nas curvas do oceano
inconstante.
Na pura água se reproduzia tua alma. Como podia não
se reproduzir, se em todas as ondas és certeza?
Na sombra do dia, ofuscas a penumbra e permites-me
mergulhar na imortalidade do teu ser. Não há limite para as profundezas para
que me levas.
Juro que vi a tua pele por realidades e ilusões,
miragens e alucinações.
No enigma da vida lá estavas tu. Como podias não
estar, se vives em tudo o que respira?
A vida pertence aos insensatos, aos loucos e
desvairados. Todos os iludidos e alucinados escapam à morte. Se existissem para
ti, mostravas-lhes como era viver. Quem não é insano nunca viveu o êxtase da
tua eterna pele.

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