Amaste-me de morte, destruíste-me em vida
12:51:00Tento escrever sobre ti, mas não consigo. Está tudo nebulado , infelizmente, tão claro. Esqueci a textura da tua pele, mas lembro-me do teu toque na minha. Esqueci-me da tua voz, mas lembro-me do conforto que ela me trazia. Esqueci-me do teu perfume, mas lembro-me dele nas ruas em que passo. Esqueço tudo, lembro tudo. As datas não me escapam, os lugares também não. Gostava que deixasses de existir no meu tempo. És passado e eu vivo no presente - não somos diferentes o suficiente? Não podes deixar o meu espaço também? Estás ausente e eu presente - não é razão suficiente?
Não te quero saber. A maneira como não soubeste que não me sabias - como podias não saber?
Transparente sempre te fui. Opaco sempre me foste.
Transparente agora me és - fantasma que me assombra, tentas tocar-me, eu sei. Opaca agora te sou - muralha que construíste, tentas derrubar-me, eu sei. Já me derrubaste amor. Amaste-me de morte. destruíste-me em vida. E mataste-me.
O corpo foi abandonado na cama, a alma lá continuava, tentando trazer o conforto que tu não trazias - em vão, digo já. Ouvi a música do fim, seguido do silência do teu corpo. Já não me amavas de morte, destruíste-me em vida.

0 comentários