Reflexo

16:34:00


Ela parece-me destruída,
Completamente sem vida.
Não tem qualquer reação,
Parece que ficou sem coração.

Algo nela me entristece,
O que ela tem
Ninguém merece.

Os olhos dela
Estão cheios de tristeza,
Disso tenho a certeza.
Mas não percebo
O que se passou,
Mas sei que ela precisa de mim
E, por isso, eu vou.

E eu tento ir
Mas embato,
Gostava de a ver sorrir
E ser o seu aparato.
Tento outra vez
E desmaio,
Porque não me vês
Quando eu caio?

 Olhas-me tristemente
E o teu rosto
Só demonstra o desgosto
Marcado, profundamente.
As tuas lágrimas,
Elas caiem e saem,
Estás uma lástima,
Quero que te salvem!

Viro a palma da minha mão
Para ti,
E a tua vai na mesma direção,
Para mim.
Não recebo qualquer sensação,
Só a de um frio e gelo,
Parece que foste fechada
Com um selo.

Os teus olhos
Atentam em mim,
E os meus em ti.
Eu nunca te conheci,
Nunca soube de ti
Mas, no entanto,
Sinto-te na minha alma,
Como se fosses parte de mim.

 Por isso, tento falar.
Preciso de falar contigo!
Tenho de te perguntar
Se corres perigo,
Quem é o inimigo?

Ela abre os lábios
E parece que diz:
- “Eu não tenho nenhum inimigo,
Tenho uma cicatriz,
Não corro perigo,
Simplesmente não sei o que fiz,
Ele foi-se embora...
Ele me deixou infeliz.”
Eu fico a olhar para ela à nora,
Enquanto ela chora …

Fica sentada,
Durante horas.
Mesmo gelada,
Ela não se vai embora.
Queria oferecer-lhe
Meu casaco
E dizer-lhe
Que ia ficar tudo bem.
Mas ela estava um caco,
E eu não conseguia.
Era impossível chegar a ela
Bem, eu queria,
Cuidar dela.

Ela olha para mim
Como se lesse os meus pensamentos
E percebesse os meus sentimentos.
Vira a cara,
Como se estivesse a negar,
Não vejo,
No que estará ela a pensar.

Então ela volta
A olhar para mim,
Sussurrando:
- “Não devia ser tão complexo,
Pelo menos não para ti,
Já devias saber que eu sou o teu reflexo,
E que essa dor acaba aqui.”
E o meu eu,
Simplesmente desapareceu.







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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.