Insuficiente

08:25:00


Eventualmente, deixarei de ser suficiente. Não te preocupes, estou á espera do tempo previsível em que me virarás as costas e partirás. Irei transformar-me em memórias vãs que não quererás relembrar. O vazio que sentirás será superficial. O ócio parará para te permitir fugir. Tentarás anular a sensação do toque escasso e será inútil. Tudo será ineficaz até mexeres o teu corpo para te perderes na futilidade de outros. Irás perder-te, eu sei. Percorrerás muitas peles até perceberes que nenhuma te enche o suficiente. Tentarás procurar mais e vais encontrá-las, mas só para entenderes que és insatisfeito, que o que te falta já perdeste, que o tempo escasseia e tu falhas na certeza de acertar. A verdade é que não precisas de mim, que, eventualmente, eu serei a mais pequena das tuas ambições – na verdade, porque já me tens. Não há problema, não me importo de ser a figura vazia que já não ocupa o teu quarto ou o excesso de ignorância que não necessitas. Só não me peças para te ver a abandonar-me, sabendo que não irás olhar para trás. Eu fico. Eu fico, enquanto pensares que sou a tua eternidade e que as minhas linhas são o infinito. Eu fico. Eu fico, porque não sei ir, nem quero ser exploradora de outras peles. Eu vivo para te viver, mesmo que seja uma existência fraca no teu pulso.


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.