A tua última vez

10:54:00


Imagino que, neste momento, estejas a amachucar o maço que compraste há uma hora e que foste esvaziando a cada cinco minutos. Imagino que, neste momento, estejas com vontade de ir comprar outro. Lês as letras “FUMAR MATA” e ris-te, porque sempre foste divino a fugir da morte ou ela nunca te quis como alvo.

Imagino todas as desculpas que ofereces a ti, neste momento. “Estou nervoso” deve ser a principal. Normal, hoje as cortinas do palco fechar-se-ão perante ti. Irás chorar e irás fazer chorar. Sempre foste divinal na arte de fazer sentir.

Um bafo, uma lágrima. Dois bafos, um toque nervoso. O vil sentimento te assombra, então permites esconder-te no fumo que atiças com os teus dedos.

A hora de te fazeres à estrada está a chegar. Tu não queres, eu sei. Gostarias de continuar a valsa que cantas ou tocar o vento que soletras nestes nove quartos. Ceder á tentação sempre foi a tua perdição.  

Enquanto amachucas a morte que te corre pelos pulmões, diz-me… A tua alma tem últimas palavras ou nunca tiveste alma?



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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.