Imagino que, neste momento, estejas a amachucar o maço que
compraste há uma hora e que foste esvaziando a cada cinco minutos. Imagino que,
neste momento, estejas com vontade de ir comprar outro. Lês as letras “FUMAR
MATA” e ris-te, porque sempre foste divino a fugir da morte ou ela nunca te
quis como alvo.
Imagino todas as desculpas que ofereces a ti, neste
momento. “Estou nervoso” deve ser a principal. Normal, hoje as cortinas do
palco fechar-se-ão perante ti. Irás chorar e irás fazer chorar. Sempre foste divinal
na arte de fazer sentir.
Um bafo, uma lágrima. Dois bafos, um toque nervoso. O vil
sentimento te assombra, então permites esconder-te no fumo que atiças com os
teus dedos.
A hora de te fazeres à estrada está a chegar. Tu não
queres, eu sei. Gostarias de continuar a valsa que cantas ou tocar o vento que
soletras nestes nove quartos. Ceder á tentação sempre foi a tua perdição.
Enquanto amachucas a morte que te corre pelos pulmões,
diz-me… A tua alma tem últimas palavras ou nunca tiveste alma?
- 10:54:00
- 0 Comments












