O caminho

12:33:00

   O caminho que segues quando te afastas, não é o caminho correto, porque esse caminho não tem o destino certo. Viras as costas como se não houvesse um coração a bater por ti. Afastas-te como se não estivesses a tirar a alegria do mundo, a alegria de mim.
   E mesmo quando caminhas por esse caminho que não te pertence, eu não consigo evitar cair nesta espiral de saudade, alegria, tristeza e confusão... Deste silêncio que grita aos meus ouvidos. Mas sabes o pior? A sensação de estar incompleta, de me faltar tudo enquanto não me falta nada, porque tu não és meu. És só uma pessoa que conheci, que me prende de tal modo num mundo que não existe e num olhar que me ilude. És só uma pessoa que me prende a momentos inexistentes e a sensações únicas. És uma pessoa que eu desejo. Mas a vida nunca nos facilita nada. Ela só nos oferece duas coisas: tentações e a capacidade de desejar.
   Somos fracos. Há algo em nós que desperta o desejo facilmente. Uma parte de nós que nos provoca sofrimento e que, provavelmente, adora fazê-lo. Porque continua, continua e continua sem qualquer piedade...
   Porque é que quando te afastas eu sinto isto tudo? Somos só duas pessoas e tu só estás a afastar-te durante segundos, minutos, horas, dias... E agora, meses. Talvez seja isso: o medo de te perder, o medo, o pensamento de que ao te afastares vais desaparecer da minha vida. Mata-me, mata-me sem me matar.
   Que desejo é este que em mim persiste? Que sensação é esta que não me permite largar os teus olhos sem pigmento sem ser a cor diluída em lágrimas e o brilho do teu olhar? O que me estás a fazer para me deixares tão transtornada? E olhar-te nos olhos, o que me faz sentir agora? Mal. Insegura. Porque eu não sou o suficiente. Nunca sou o suficiente. Falta-me sempre algo. Ninguém? Ninguém me salva?
   Mas acho que o maior perigo talvez seja eu própria. Eu estou destruída. Eu destruo-me. Sentimentos e pensamentos contra-atacantes. Força! Ponham-me no chão! Talvez desta vez eu não resista e desista. Talvez desta vez a queda seja demasiado grande e me quebre por completo. Talvez quebre os pedaços restantes que estalam entre si.
   Cada vez me sinto mais perdida... Quem sou eu? O que fiz? Porquê? Quando? Como? Onde posso encontrar o caminho errado?
   Tenho duas opções: ou sigo o caminho certo ou sigo o caminho errado contigo.
   Segura-me na mão e vamos então.





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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.