Olho para os meus pulsos e vejo as cicatrizes deste ano
16:46:00
Olho para os meus pulsos e vejo as cicatrizes deste ano.
Vejo as lágrimas unidas com o sangue no oceano.
Vejo a pele rasgada, arranhada, ensaguentada,
E a esperança que um dia voava, hoje encontra-se afogada.
Eu nadei contra a corrente, mas as ondas puxavam-me.
Tiravam-me a respiração, a força e humilhavam-me!
Na lâmina via a solução para me salvar,
Dor física e dor psicológica ficaram em mim para marcar,
Na esperança que o meu coração conseguisse sarar.
Sem lâminas, pegava em mim mesma para me magoar...
Magoava, mas acabava por me habituar.
Achava-as belas. A dor acabou por me enfeitiçar.
Tornou-se viciante, gostava de as fazer
De as contar, de as olhar, de ver o desespero correr.
Hoje já não as vejo, mas ainda as sinto,
Com o desejo e o instinto pouco extinto.
Olho para os meus pulsos e vejo as cicatrizes deste ano.

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