- 11:44:00
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Por muito longe que estejamos, gosto de pensar que olhamos a mesma lua. Onde quer que esteja, deito-me e olho para cima desejando que ao abrir os olhos, preenchas a minha visão. Dizem que o paraíso se encontra em cima de nós e acredito que ele é todo meu quando te encontras em cima de mim.
Gosto de pensar que olhamos a mesma lua, mas sei que nunca foste um eterno apaixonado pelo céu. No entanto, sei que és um eterno apaixonado por mim e isso basta.
No entanto, por vezes desejava que observasses a estrela polar e procurasses descobrir as constelações como procuras descobrir todos os pontos do meu corpo. Ás vezes desejava que tivesses a coragem de acordar de madrugada para irmos ver o nascer do sol, mas tudo bem, eu desculpo-te a ociosidade, porque eu sei que a noite faz-se dia quando acordas para o meu corpo. Ás vezes desejava ver o pôr-do-sol contigo, mas tal desejo perde todo o interesse quando tu me fazes fechar os olhos e ver todas as pinturas maravilhosas que o céu cria, tal Deus que és.
Por muito longe que estejamos, gosto de pensar que olhamos a mesma lua. Que somos dois artistas perdidos na arte do mundo. Gosto de pensar que fechas os olhos e eu sou tudo o que tu vês. O céu não me diz nada se não for apenas mais um pedaço de ti. Nasce e adormece em mim, expande-se e cobre cada centímetro de mim. Quem diria que o mundo era tão pequeno para ser nosso.
Gosto de pensar que olhamos a mesma lua, mas sei que nunca foste um eterno apaixonado pelo céu. No entanto, sei que és um eterno apaixonado por mim e isso basta.
No entanto, por vezes desejava que observasses a estrela polar e procurasses descobrir as constelações como procuras descobrir todos os pontos do meu corpo. Ás vezes desejava que tivesses a coragem de acordar de madrugada para irmos ver o nascer do sol, mas tudo bem, eu desculpo-te a ociosidade, porque eu sei que a noite faz-se dia quando acordas para o meu corpo. Ás vezes desejava ver o pôr-do-sol contigo, mas tal desejo perde todo o interesse quando tu me fazes fechar os olhos e ver todas as pinturas maravilhosas que o céu cria, tal Deus que és.
Por muito longe que estejamos, gosto de pensar que olhamos a mesma lua. Que somos dois artistas perdidos na arte do mundo. Gosto de pensar que fechas os olhos e eu sou tudo o que tu vês. O céu não me diz nada se não for apenas mais um pedaço de ti. Nasce e adormece em mim, expande-se e cobre cada centímetro de mim. Quem diria que o mundo era tão pequeno para ser nosso.
- 13:18:00
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Ás
vezes quero ajoelhar-me perante outras pessoas, mas depois lembro-me que não
sou crente. Lembro-me que não creio no mundo e que já tenho um mundo pelo qual
me ajoelhar. Não sou religiosa, apenas acredito em ti. Tirando isso, sou descrente.
Não há livro sagrado que eu santifique. A história da minha criação reside na
tua pele. Percorro os meus dedos em torno dessa textura rugada e sei como tudo
foi concebido. Vejo a humanidade perdida, humanos cada vez mais desumanos
rezando ao incerto com toda a certeza do mundo. Pois, eu não. Eu preciso de ver
para acreditar. Hoje sou crente. Vi-te e acreditei. Toquei-te e tive a certeza.
Chamem-lhe
blasfémia, eu chamo-lhe devoção. O único Inferno que conheço são aqueles
pequenos instantes em que te perco e as únicas chamas que me irão tocar serão
as que virão com o calor do teu toque e aí permanecerei e, se for pecado, então
pecarei. Se for Inferno, então não sei o que chamam de Paraíso.
Creio
em ti e sou-te fiel.
1. Amo-te
sobre todas as coisas. Mais que sobre todas as coisas, amo-te sob todas as
coisas e amo-te todo e por inteiro.
2. Não
uso o teu nome em vão. Digo-o em todos os momentos impróprios próprios para o
dizer. Tirando isso, só mesmo para praguejar o quanto te venero.
3. Guardo
os domingos e todas as festas para te adorar – inclusive todos os outros dias
da semana. Presencio e participo em todas as ocasiões em que és celebrado. Todas
as horas são instantes para te amar e louvar.
4. Honro
quem tu honras. Tenho a plena sabedoria de saber que és sábio.
5. Não
mato. Excetuando aqueles poucos segundos em que deixas de respirar. Embora não
tenha o direito de te tirar a vida, gostava de ter o dever.
6. Não
peco contra a candura. Maioritariamente, porque não a tenho. Fui conquista e
conquistada, nunca pura.
7. Não
roubo, só me deixo ser roubada. Nunca fiz, mas sempre deixei que me arrancasses
a paz e que te apropriasses de mim.
8. Nunca
levantei falsos testemunhos. Foste a única pessoa que matei com a língua e só
não é pecado porque nunca foste tão vivo. De resto, a minha misericórdia reside
em todas as pessoas que não são tu ou meramente tuas.
9. Não
desejo o próximo. O único próximo que desejo é o instante em que não há
próximo, apenas a iminência do nosso interior carnal.
10. Não
cobiço coisas alheias, porque estou ciente de que sou a cobiçada. O teu ser
é-me tudo e eu tenho-te todo e por inteiro.
- 13:33:00
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I found your drawing saved in the wooden box I had made when I thought I was the female version of Picasso. The small-scale four-sided box, which stretched over my lap like a newborn child who refused to open his eyes, was covered with newspaper clippings and snapshots. I unlocked it and I found the elderly paper, curled up in itself as if it was faint-hearted to be exposed to the world. I unfolded the cutting edge version of a parchment and I laid my eyes on the self-portrait you offered me. The fallen angel, bearing on his knees, leaning towards the old sod that tasted like death. The right wing was whimpering over her fair shake of dying, while she was making her own bed of feathers. The falling off of the silvery quills felt like raindrops pouring from my eyes day by day, every time that I looked to the side and I did not find you on the scrawled table drawing castles in the air or pies in the sky.
I took a flip through my wristwatch. It is midnight. The dead of night. Three years. I try to bring to mind the small things, nonetheless, even your name is clouded in my mind. João. Your first name. And that is all my memory holds. Or it should be. However, I can still imagine your face as pallid as the wedding dress you will never see me wear. I can still feel your wintry skin as if I had touched a piece of a sculpture that never left me. I can still hear your last words in the lugubrious musicality of the winter’s gelid wind. The breeze that slips through all the leaves and petals, kisses and embraces them, like a praying mantis, just to pull them out and leave them to the wheel of fortune that only brings misfortune.
Despite not remembering it, I know there is a headstone with your full name engraved, with your entire life preserved on two dates inscribed in gold and with the words that someone decided to say when it was too late. The words that were only said when you were already out cold and that should have been verbalized even before you decided to fall asleep. This stone has never met you and it never will, nevertheless at this moment it knows more about you than I do. All I can call to mind is you grabbing my hand and saying, “I'm lost without you”, and that I established that as the one undeniable truth of my existence.
Notwithstanding you let go of my hand to tie a noose, put it around your neck and let me wander lonesome, only me and my shadow, as if I was just a dead body walking around. And I am, my love. And I am. I do not want to remember your name. I want to be able to look at this fallen angel without thinking that I could not elevate it high enough. I want to be capable to stare at this drawing, this slight piece of you, and not know who it belongs to. I do not want to reminisce who left me the enigma that life offers us - is it possible to fly with broken wings? What I have discovered so far is that the hardest part of living is not dying. You killed life and left me to live the death.
- 12:26:00
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Deixei
para trás a areia que deitei em ti, as mãos que decidiram banhar-te. Toca
alguma melodia a que não dou atenção no carro. Só atento no som da tua voz:
“não vás”. E eu fui. Arrastei os pés pelo passeio e esperei que me pegasses na
mão. Não aconteceu. Não virei a cara, não me apareceste à frente. O mar
levou-te e deixou-te comigo.
Um
semáforo. O carro pára. Observo o céu pintado e pergunto-me quem o trajou. O
sol do teu corpo, a falta de limites da tua arte – quem te desenhou?
Avanço
na estrada, recuo no tempo. Sei que todo eu estou à beira-mar, à beira-ti. No
entanto, tu não te encontras à minha beira.
As
luzes estão apagadas, não podes ser uma delas? Sinto-te tão acesa sob a minha
pele. O azul desce sob o céu, como tu descias sob o meu corpo. Cobre-me a
vista, é altura de fechar os olhos, viver-te na intensidade das memórias.
A
paisagem não me cativa. Deixei para trás o único cenário que me seduzia – a
areia na tua pele, a água que te lavou. Suspiro. Quando me lavas os pecados?- 15:10:00
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Deito-me na cama desarrumada e a insónia toma conta de mim. Penso no quanto esta cama se encontra desordenada pela ordem do nosso dia-a-dia. Eu levanto-me e tu já não te encontras ao meu lado. Adormeço e já não estás comigo. De que vale existir por mais um dia, se não te vivo nele? De que vale ser durante mais uma noite, se não te encontro nela?
Neste momento, só me posso embrulhar na camisola azul que me deste com o teu perfume. Pelo menos, desejava que assim fosse, mas a verdade é que é demasiado quente e, embora eu implore ao frio que este me abrace, ele recusa-se e nem um beijo na face me dá.
Deveria estar a ler aquele livro que tu me ofereceste, mas os meus olhos só pensam em ler-te. Estão proibidos. E assim, permaneço aqui, a escrever a maior história de amor com a personagem epicamente romântica. E assim, aqui fico eu, a escrever-te.
Sei que não temos um amor impossível digno de um Nobel da Literatura. Aliás, reconheço que não temos uma ponta de impossibilidade no nosso amor. Muito pelo contrário. Ao teu lado, tudo é possível. O céu é perfeitamente alcançável, o mar é raso, o fogo não queima. Contigo, o paraíso é o nosso lar, as profundezas são o nosso ar e as chamas são acesas pelos nossos corpos.
E, assim, mais uma noite passa. Comigo a escrever-te, sabendo que a minha arte nunca receberá um Nobel e, honestamente, reconhecendo que não poderia querer saber menos disso. Por tua causa. Porque tu fazes-me sentir como se subisse a um palco e tivesse o mundo inteiro a aplaudir-me, mas a verdade, meu amor, é que, mesmo que tivesse o universo inteiro a aclamar-me, tu serias a única pessoa que eu contemplaria.
Tu és dono dos meus olhos, das minhas mãos, dos meus lábios, do meu coração. Nunca serei dona de mim mesma, nem o pretendo ser. Existe maior glória do que a de te pertencer?
Não creio, não.
Tu fazes-me acreditar que eu posso conquistar o mundo. Mentira. Tu fizeste-me conquistar o mundo. Tenho-te aqui nas minhas mãos e és tão meu que não poderias ser de mais ninguém. Prometo que se um dia o mundo acabar, será com a ausência que deixaste em mim. No entanto, a madrugada irá surgir e tu estarás presente. Não precisarei da camisola azul que já não apresenta mais o teu cheiro e terei o teu perfume a abraçar-me. Finalmente, é altura de me perder pelo mundo.
- 16:48:00
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Esta é a pele do homem que eu amo. Cobre-me o corpo e
estende-se sob os meus olhos. As minhas mãos navegam nela, um mar de marcas deleitáveis
e sensações intensas. Alterno os meus dedos entre os pequenos sinais, as marcas
de nascença e as marcas que a vida te foi traçando. Toco nos riscos efémeros
que te pintei há apenas uns minutos. Esta é a pele do homem que eu amo. Uma
tela vívida, para a qual eu gosto de me fazer artista. Moldo-te nas minhas mãos
e percorro-te de olhos fechados para te ver melhor que ninguém. Abres a boca
para fazer soar a língua dos corpos que dançam entre si ao ritmo que só nós
sabemos tocar. O toque acontece e o corpo vibra. Eu movo-me na tua direção, tu
moves-te na minha e paramos para viajar para o destino que só os afortunados
conhecem. Admito que não sei dançar, mas assim que a tua pele passa pela minha
vista, todos os gestos são instintivos e só nos detemos quando o fôlego é
extinto. Esta é a pele do homem que eu amo. Pálida. Ligeiramente manchada por
nódoas negras. Esta é a pele do homem que eu amo: de mármore e que dá cor a
todo o mundo que me percorre. Ás vezes desejo poder esculpir-te, mas depois recordo-me
que tenho o deleite de te poder viver. És a poesia que eu escrevo, a música que
ressoa dentro de mim, o desenho que não sei traçar. Se eu, um dia, quiser
escrever a minha bibliografia, será simples. “Nasci e vivi para te amar”. Simples,
não é? Sou uma artista que se apaixonou pela obra-prima que alguém criou. Abres
os olhos e eu coloco a mão na tua face de anjo. Sorris. Este é o homem que eu amo.
- 16:42:00
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I arrived home. The sky was tenebrous as if it was crying for my homecoming. Clouds were veiling heaven like hand-sewn lace trousseaus. The Portuguese pavement was spreading out in front of my eyes, always untrustworthy and perfectly slippery to make me tip over. I could lay eyes on the imposing castle, rising above all the houses of long standing and the groves that danced with each other, as if they had a life of their own. The castle had woken up to relish in the nightfall. The stones and fortifications were sheltered with a beauteous golden hue, just like my golden hair covered your chest in the dawn that followed a night full of high spirits. The lights of the rusty black steel lamps had lighted up, while the sun had decided to fall asleep and the stars had prepared to do what they were born to do: shine. I had begun to slide through the Luís de Camões garden. The bushes, which did not cross my waist, walked hand in hand with me like a child. The arbors began to change their vestments. The archetypal green had been stripped down, leaving the limbs of the arbors delivered only to the unavoidability of their nudity. Some of them were dressed with seas of flames that only reminded me of you. The wine-colored ton of your lips or the warm tone of your skin.
I strolled through the dark benches of iron fully clad with names of lovers promising a “till death do us apart”, when they are already apart. The majestic trees rose as the Red Sea did to let Moses cross. The water of the fountain ascended to the sky and then bowed before it, accepting its place among the stones of the sidewalk.
I had reached the finale of the garden and Luís de Camões had nothing more to offer me but the realization that "true affection in the long absence proves itself". I perceived this irrefutable reality, because I felt it in every part of my body. Since, on the other side of the boulevard, there was you. Leiria had disappeared before me as if I had gone blind for a few moments. But this could not be true, because I had laid my eyes on you, as if God had come down to Earth and I had suddenly become a devotee. The leaves were falling beside me and I was falling in love with you.
- 10:39:00
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Cometeste o delito de aparecer perante os meus olhos. Foste um atentado à tranquilidade que me corria pelo corpo. "De quem é a culpa?" pergunto. "Qual foi a tua intenção?" questiono. E tu encolhes os ombros no teu jeito de dizer que não pretendias violar nenhuma lei, mas que a moral desaparecera, que nunca foste crente em algum ser para te salvar e que amar não parecia ser um ato assim tão condenável.
Admites que a falta que cometeste no jogo da vida se deveu à falta que eu praticava sob o teu corpo. Admites a responsabilidade do teu erro, mas que se errar é assim, que queres ser um pecador eterno. Admites que falhaste, mas que eu também falhei, pois não apareci na tua vida quando ainda eras sonhador e ingénuo e que decidi comparecer quando já não vias o sentido em marcar presenças, visto que todos pareciam se ausentar.
Perguntam-te se pecaste e tu dizes que se o mundo me considerar um pecado, então sim, que foste o maior pecador que alguma vez existiu. Afirmas que me queres sempre mais e que me vês aqui, sentada, e que me desejas nos teus lábios. Vertes uma lágrima. Não te contentas com a minha falta nos teus dedos. Afirmas que o que sentes é excessivo e descontrolado, mas que sou prioridade e que Deus fica a um canto ao meu lado. Chamam-te tolo. Acusam-te de luxúria e tu sorris. "Quem vos dera deixarem-se dominar pelas paixões". Desafias a vida e sussurras que te toldei o raciocínio e que o teu castigo e execução são escolha minha, que é a tua vida que tem a tua vida nas mãos. Admites que me queres possuir entre a bravura de quatro paredes e no espaço infinito que o mundo ocupa em nós. Admites que negligencias o poder da morte, porque já morreste em todos os tempos em que não me tiveste. Admites que sou motivo de orgulho e que, mesmo que estivessem todos no céu, que teriam de me olhar de cima.
"Que ultraje! Que ofensa!". Coitados. Ainda não provaram um homem apaixonado. Construíram todos casas com telhados de vidro, que ainda não sabem como é um telhado a sério. O rubor cor de tijolo das tuas faces quando te beijava as linhas divinas que alguém arquitetara. O tom incostante da tua pele de madeira nas sombras que deixávamos por casa, enquanto rolávamos pela cama. A nuance acimentada do teu cabelo, quando eu o puxava para te poder usufruir ainda mais. Que sabem eles? Acham que deste um passo em falso, quando todos os passos foram certos. Se caminhaste na minha direção, poderiam eles ser errados? Eles declaram-nos um erro fatal, mas, no fundo, só gostavam de estar tão certos como nós.
É hora da sentença. Não ouças o que eles dizem, ouve apenas a minha voz, porque eu vou condenar-te à pena mais pesada até hoje declarada. Estás pronto? Diz-me que estás, porque eu nasci pronta para ti. Acenas com a cabeça e eu declaro-me:
"Condeno-te a passar o resto da vida comigo".
Admites que a falta que cometeste no jogo da vida se deveu à falta que eu praticava sob o teu corpo. Admites a responsabilidade do teu erro, mas que se errar é assim, que queres ser um pecador eterno. Admites que falhaste, mas que eu também falhei, pois não apareci na tua vida quando ainda eras sonhador e ingénuo e que decidi comparecer quando já não vias o sentido em marcar presenças, visto que todos pareciam se ausentar.
Perguntam-te se pecaste e tu dizes que se o mundo me considerar um pecado, então sim, que foste o maior pecador que alguma vez existiu. Afirmas que me queres sempre mais e que me vês aqui, sentada, e que me desejas nos teus lábios. Vertes uma lágrima. Não te contentas com a minha falta nos teus dedos. Afirmas que o que sentes é excessivo e descontrolado, mas que sou prioridade e que Deus fica a um canto ao meu lado. Chamam-te tolo. Acusam-te de luxúria e tu sorris. "Quem vos dera deixarem-se dominar pelas paixões". Desafias a vida e sussurras que te toldei o raciocínio e que o teu castigo e execução são escolha minha, que é a tua vida que tem a tua vida nas mãos. Admites que me queres possuir entre a bravura de quatro paredes e no espaço infinito que o mundo ocupa em nós. Admites que negligencias o poder da morte, porque já morreste em todos os tempos em que não me tiveste. Admites que sou motivo de orgulho e que, mesmo que estivessem todos no céu, que teriam de me olhar de cima.
"Que ultraje! Que ofensa!". Coitados. Ainda não provaram um homem apaixonado. Construíram todos casas com telhados de vidro, que ainda não sabem como é um telhado a sério. O rubor cor de tijolo das tuas faces quando te beijava as linhas divinas que alguém arquitetara. O tom incostante da tua pele de madeira nas sombras que deixávamos por casa, enquanto rolávamos pela cama. A nuance acimentada do teu cabelo, quando eu o puxava para te poder usufruir ainda mais. Que sabem eles? Acham que deste um passo em falso, quando todos os passos foram certos. Se caminhaste na minha direção, poderiam eles ser errados? Eles declaram-nos um erro fatal, mas, no fundo, só gostavam de estar tão certos como nós.
É hora da sentença. Não ouças o que eles dizem, ouve apenas a minha voz, porque eu vou condenar-te à pena mais pesada até hoje declarada. Estás pronto? Diz-me que estás, porque eu nasci pronta para ti. Acenas com a cabeça e eu declaro-me:
"Condeno-te a passar o resto da vida comigo".
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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.






