Este é o meu homem
16:42:00
Esta é a pele do homem que eu amo. Cobre-me o corpo e
estende-se sob os meus olhos. As minhas mãos navegam nela, um mar de marcas deleitáveis
e sensações intensas. Alterno os meus dedos entre os pequenos sinais, as marcas
de nascença e as marcas que a vida te foi traçando. Toco nos riscos efémeros
que te pintei há apenas uns minutos. Esta é a pele do homem que eu amo. Uma
tela vívida, para a qual eu gosto de me fazer artista. Moldo-te nas minhas mãos
e percorro-te de olhos fechados para te ver melhor que ninguém. Abres a boca
para fazer soar a língua dos corpos que dançam entre si ao ritmo que só nós
sabemos tocar. O toque acontece e o corpo vibra. Eu movo-me na tua direção, tu
moves-te na minha e paramos para viajar para o destino que só os afortunados
conhecem. Admito que não sei dançar, mas assim que a tua pele passa pela minha
vista, todos os gestos são instintivos e só nos detemos quando o fôlego é
extinto. Esta é a pele do homem que eu amo. Pálida. Ligeiramente manchada por
nódoas negras. Esta é a pele do homem que eu amo: de mármore e que dá cor a
todo o mundo que me percorre. Ás vezes desejo poder esculpir-te, mas depois recordo-me
que tenho o deleite de te poder viver. És a poesia que eu escrevo, a música que
ressoa dentro de mim, o desenho que não sei traçar. Se eu, um dia, quiser
escrever a minha bibliografia, será simples. “Nasci e vivi para te amar”. Simples,
não é? Sou uma artista que se apaixonou pela obra-prima que alguém criou. Abres
os olhos e eu coloco a mão na tua face de anjo. Sorris. Este é o homem que eu amo.

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