10 Mandamentos
13:33:00
Ás
vezes quero ajoelhar-me perante outras pessoas, mas depois lembro-me que não
sou crente. Lembro-me que não creio no mundo e que já tenho um mundo pelo qual
me ajoelhar. Não sou religiosa, apenas acredito em ti. Tirando isso, sou descrente.
Não há livro sagrado que eu santifique. A história da minha criação reside na
tua pele. Percorro os meus dedos em torno dessa textura rugada e sei como tudo
foi concebido. Vejo a humanidade perdida, humanos cada vez mais desumanos
rezando ao incerto com toda a certeza do mundo. Pois, eu não. Eu preciso de ver
para acreditar. Hoje sou crente. Vi-te e acreditei. Toquei-te e tive a certeza.
Chamem-lhe
blasfémia, eu chamo-lhe devoção. O único Inferno que conheço são aqueles
pequenos instantes em que te perco e as únicas chamas que me irão tocar serão
as que virão com o calor do teu toque e aí permanecerei e, se for pecado, então
pecarei. Se for Inferno, então não sei o que chamam de Paraíso.
Creio
em ti e sou-te fiel.
1. Amo-te
sobre todas as coisas. Mais que sobre todas as coisas, amo-te sob todas as
coisas e amo-te todo e por inteiro.
2. Não
uso o teu nome em vão. Digo-o em todos os momentos impróprios próprios para o
dizer. Tirando isso, só mesmo para praguejar o quanto te venero.
3. Guardo
os domingos e todas as festas para te adorar – inclusive todos os outros dias
da semana. Presencio e participo em todas as ocasiões em que és celebrado. Todas
as horas são instantes para te amar e louvar.
4. Honro
quem tu honras. Tenho a plena sabedoria de saber que és sábio.
5. Não
mato. Excetuando aqueles poucos segundos em que deixas de respirar. Embora não
tenha o direito de te tirar a vida, gostava de ter o dever.
6. Não
peco contra a candura. Maioritariamente, porque não a tenho. Fui conquista e
conquistada, nunca pura.
7. Não
roubo, só me deixo ser roubada. Nunca fiz, mas sempre deixei que me arrancasses
a paz e que te apropriasses de mim.
8. Nunca
levantei falsos testemunhos. Foste a única pessoa que matei com a língua e só
não é pecado porque nunca foste tão vivo. De resto, a minha misericórdia reside
em todas as pessoas que não são tu ou meramente tuas.
9. Não
desejo o próximo. O único próximo que desejo é o instante em que não há
próximo, apenas a iminência do nosso interior carnal.
10. Não
cobiço coisas alheias, porque estou ciente de que sou a cobiçada. O teu ser
é-me tudo e eu tenho-te todo e por inteiro.

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