Hoje é o teu aniversário
07:41:00
Hoje é o teu aniversário. Hoje é
mais um dia que não passarei ao teu lado. No entanto, recebeste a mensagem de
meia-noite que nunca te falhou. Encontrei-me indecisa: “parabéns” ou “parabéns,
volta”? Sempre tive jeito com as palavras, mas sinto que tas devo calar. Sabes
o quanto horrível é viver no silêncio da bomba que quer explodir? Provavelmente ainda não deves saber que
vestiste uma armadura para tentar não levar com os estilhaços que estão dentro
de ti.
Hoje é o teu aniversário. Hoje é
só mais um dia que gostaria de passar ao teu lado. Mais um dia em que não te
mostrarei uma nova música ou uma nova banda que descobri. Mais um dia em que
não me encherás de mensagens, nem eu a ti. Só mais um dia que verei o que estás
a ouvir de momento, enquanto me ponho a adivinhar o que estás a fazer. Neste
momento, ouves Sergei Rachmaninoff, enquanto desfolhas um dos teus livros
intermináveis, suponho.
Fico à espera de notícias tuas
que nunca chegam. Fico à espera de te encontrar por uma das ruas infindáveis de
Lisboa, só pelo facto de saber que “todos os caminhos vão dar a Roma” e por
saber que sempre que virámos costas e seguimos caminhos diferentes, sempre nos
encontrámos, porque na verdade sempre fomos o destino um do outro.
Estava à espera de não te
escrever. Tinha esperança que as minhas mãos não soubessem escrever o que me
vai na alma, mas a alma grita demais para as mãos não ouvirem e, assim, ouve o
papel. Então, aqui tens o meu “parabéns, volta”, aquele que não te vou entregar
por sermos dois toxicodependentes dançando no mesmo ciclo vicioso e todos
sabemos que um ciclo não tem fim e, se me permites ser imprudente, não quero
que tenha.
Outra meia-noite chegou. Já não
há mensagem para mandar ou uma palavra para calar frases inteiras. Outra
meia-noite e, assim, outro dia com a mesma falta permanente que me fazes levar
comigo. Uma meia-noite diferente, a mesma ausência. “00:00h parabéns, volta”.
0 comentários