Criança
17:26:00
Adoro ver-te a invadir o meu
espaço e chamar-te “criança”. Não porque tens atitudes imaturas, ou porque tens
apenas ar de criança. Chamo-te criança porque vejo o brilho nos teus olhos
ultrapassarem o das estrelas. Chamo-te criança porque me sorris como se fosses
feliz. Acredito que o sejas.
Enquanto te despenteio o cabelo e
ganho eu as tuas manias de criança, pergunto-me: “como podes ser tão feliz?”. Vês,
eu não te chamo criança com más intenções, eu chamo-te criança porque estás
cheio de boas. Abraças-me como se segurasses o mundo nos teus braços e tocas-me
como quem sabe que a pele é só um caminho para a alma.
Amas-me. Assim, de uma maneira
tão suave que podia fazer parte apenas de uma única respiração e amas-me.
Assim, de uma maneira tão intensa que me podia esvaziar os pulmões tanto quanto
me enche de vida.
Acaricio a tua face no meu peito.
Sei que sentes a vida a bater e que conheces a música que toca, enquanto me
sussurras um segredo ao meu coração já conhecido. Falas-me por silêncios. As
melhores coisas da vida expressam-se de boca fechada e de olhos selados. Felizmente
para nós, falo-te de lábios selados e vejo-te de olhos fechados.
Mais uma noite passa por mim e o
mundo ainda não percebeu que não se deve deixar uma “criança” dormir sozinha.
Deito-me numa cama de saudades, acacho-me da tua presença que se faz ausente.
Espero pelo amanhecer para contar menos um dia que a eternidade demorou a
passar.
Amo-te. Assim, de uma maneira tão
mundana que me faz questionar porque só eu tive pés na terra para te ter e não
te deixar voar e amo-te. Assim, de uma maneira tão rara que só tua é, porque só
tu me és e só eu tua sou.

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