Fuma a noite

13:07:00



Fuma a noite, enquanto eu te apago o dia.
Vai à varanda, abre a janela, deixa-me esfriar no escarlate da tua cama.
Vai à varanda, fecha a janela, aquece-te enquanto eu arrefeço a alma.
Fuma a noite, que o dia não merece a tua atenção.
Vamos enrolar-nos e procurar a nossa respiração, que toda ela me falta na tua presença.
Abraça-me, pega-me entre teus dedos e vamos dançar ao som da cegueira do mundo.
Ninguém vê, ninguém nos sente, ninguém sabe.
Vamos absorver todo a ar que nos enrola, para o gastarmos na voracidade das nossas bocas
Nem na noite, vêem como ardemos.
O teu mau hábito é defeito, toxina que mata, dependência que me cativa.
É noite. Que esperas para pecares no meu corpo?
Decompõe-me e mostra-me os efeitos nocivos de te amar.
Se fumar é mortal, que fatalidade és tu?
Toma-me com as mãos, a madrugada ainda demora a chegar.


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.