Vejo as tuas marcas pelo meu corpo
07:52:00A passagem dos teus lábios no meu peito
O meu espírito morto de todo o proveito.
Vejo as mãos contempladas
A pele nua, despida de sujeito
A tua face deitada no meu leito.
Vejo o teu toque sussurrante,
Os lençóis, a voz em que me deito
Vejo tudo, vejo a cessante falta de defeito.
E olho-me, perguntando a quem me entrego.
Se encho a minha alma, o meu corpo ou o meu ego?
E olho-te, perguntando porque aqui continuas.
Porque ainda não me deixaste, para vaguear por outras ruas...
E olho-nos. Os dois corpos... Nus... Despidos.
Tão confortáveis na sua dúvida, no seu estado de perdidos.
Abandono a cama. Apago a chama.
Digo adeus como quem nem um lamento derrama.
Olho para o céu. Fico submersa no escuro.
E o véu da confusão ganha teu nome.
Sei o que queres e o que eu não procuro.
E, no entanto, a dúvida ganha fome.
Pergunto-me porque não procuras outras luas
Se não vês que esta se encontra demasiado vazia?
Que há mais peles cheias, crescentes, minguantes e nuas
Do que esta, esta pele que eu te trazia?
Mereces um céu cheio de estrelas brilhantes,
No entanto, desejas uma enevoada.
Meu amor, estas dores são constantes.
A luz lutou, perdeu, desistiu e agora encontra-se apagada.
Vejo as tuas marcas. A tuas gravuras.
Nódoas admiradas, pintadas e bradadas
Abrindo caminho pelas armaduras
Que cobrem o corpo ferido de ilusões sagradas.
Peço-te que procures um céu. Um universo.
Algo que te ilumine, que te percorra, que te chame
Algo que signifique mais do que um verso
Peço, desejo, suplico que encontres alguém...
Alguém que não eu... Alguém que te ame.

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