Odeio.. Quem?
15:12:00Odeio-te. Odeio-te por não te conseguir odiar. Quem não consegue odiar? Quem é o tolo que não consegue odiar? Odeio-te por me fazeres achar que odiar é uma palavra tão possível e tão inalcançável ao teu lado. Porque não me odeias? Me expulsas da tua vida de tal maneira, que a minha única escolha seria odiar-te? Porque não fazes isso? (Não vale a pena, sou incapaz de te odiar). Acho que por muito que me substituas, troques, desiludas e uses, eu não te consigo odiar. Odeio-te por me fazeres sentir tanto que me fazes não querer sentir nada. E, no meio de todos esses "sentir", a única coisa que eu quero sentir, não sinto. Eu. Eu que sou uma pessoa de sentimentos, a amante do sentir. Tu fazes-me querer quebrar os meus laços com essa relação para ser amante do não sentir... Talvez amante de ti.
Odeio-te. Quero tanto e tantas vezes odiar-te, que ás vezes creio que te amo. Mas eu odeio-te. Odeio-te com este ódio que me faz perguntar por ti a todos os segundos do dia. Odeio-te com este ódio que imagina mil histórias com mil pessoas que não eu e talvez imagine bem. Odeio-te com este ódio que faz com que sejas tu a única pessoa que eu queira odiar. Odeio-te com este ódio que me faz querer bater-te e gritar contigo de tal modo que eu sei que só nas minhas mais doces imaginações eu seria capaz de o fazer, porque eu odeio-te com este ódio incapaz de te odiar.
Odeio-te. Odeio-te tanto que alguma vez seria incapaz de te odiar.
Sabes quem eu odeio? Eu.
Odeio-me. Odeio-me porque sou uma tola que não consegue odiar, mas quer ser capaz disso, quando "odiar" é algo tão feio. Odeio-me por uma palavra ser tão impossível e alcançável ao teu lado e eu não conseguir chegar lá (talvez porque já não estou ao teu lado). Odeio-te porque não és capaz de me expulsar da tua vida totalmente. E então, eu fico. Fico, não como quem um dia irá embora. Fico, como quem espera. (Quando para mim a espera é eterna). Fico como quem se faz de burra, idiota e estúpida com a tua imagem de um santo gravada. Quando tu não és um santo. Quando tu és praticamente tudo, menos um santo. Quando tu és todos os nomes maus existentes há face da terra que eu te possa chamar, mas não consigo. Vês? Tola. Posso insultar-me com todos esses nomes, mas a ti? Nunca. Mas mereces. Mereces tanto. Mereces tanto que eu te odeie e te culpe. (Mas só de escrever isto me culpo e me odeio a mim).
Sorte a tua eu odiar-me ao ponto de me odiar tanto, que não tenho espaço para te odiar.
Tenho espaço para esperar por uma mensagem tua, uma palavra, um sorriso, uma chamada, um toque... E tenho espaço para saber que tudo isso é um erro.
Tenho espaço para me culpar tanto ao ponto em que não te precisas de culpar minimamente. A culpa é toda minha... E tenho espaço para saber que tudo isso é mentira.
Odeio-me por não conseguir ser amante do sentir. Nem para ser amante do sentir sirvo. Ele que é um amante tão belo e masoquista... Nem para ele sirvo. Odeio-me por perguntar por ti e, ainda mais, por não ter resposta. Odeio-me pela história que criei, escrevi e risquei diversas vezes. Odeio-me pela história ter tido um fim, um "amo-te" e páginas em branco. Odeio-me talvez mesmo por ter escrito uma história, quando tu próprio és escritor e escreves outras... Odeio-me por não conseguir fazer mais do que adorar-te.
Odeio-me por não te odiar. Mas como isso é culpar-te de algo, odeio-me apenas.

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