Um corpo, teu corpo
13:48:00Um corpo é um corpo.
Ninguém ama um corpo.
Um corpo aprecia-se e despreza-se.
Mas ninguém ama um corpo.
Ama-se a alma, o coração, a pessoa.
Ama-se o abstrato, o invísivel, o inesperado.
Um corpo é um corpo e ninguém ama um corpo.
Então como fui eu amar o teu?
Como fui eu amar o real, o simples, o concreto?
Como fui eu amar o teu olhar angelical e tua boca infernal?
Como fui eu amar os teus lábios cheios de mim e os teus olhos de criança cheios de meus lábios?
Como fui eu amar o teu corpo... Desde a superfície suave de tua pele, ao fundo áspero dos teus ossos...
Como fui eu amar esses teus dedos tortos que me enternecem, me arqueiam e me tentam? Teus dedos que me possuiem, tocam e me desejam?
Como fui eu amar essa tua pele manchada, essa tua carne magoada, esses ossos quebrados?
Um corpo é um corpo.
Ninguém ama um corpo.
Um corpo aprecia-se ou despreza-se.
Então porque amo eu o teu?

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