Não tens tomates

14:46:00

Não tens tomates. Tens tudo e não tens tomates.
Falta—te a coragem. Tens a vontade e não tens a coragem.
Que tal entrares de rompante no meu espaço para entrares de rompante em mim?
Entra e permite—me. Permite—me insultar, discutir, gritar, sentir. Entra e permite—me bater. Descarregar a dor de me teres abandonado.
Entra. Entra e proíbe—me. 
Proíbe—me de insultar, discutir, gritar, sentir. Entra e agarra—me. Pega—me pelos pulsos e encosta—me a esse meu espaço, agora tão teu. Mostra—me essa tua calma tão agressiva e tão tua.
Insulta, discute, grita, sente... Mas não me batas, não. Em vez disso, aproxima—te. Aproxima—te e queima—me. Permite que eu volte a sentir a tua boca e todo o fogo que a acompanha.
E eu sinto, sinto e ardo.
Com todo o prazer da vida e da morte que esta é, eu ardo.
Mas anda, aproxima—te e deixa tuas mãos inflamarem meu corpo, minha pele.
Volta e pede 'fica' com tuas palavras. Volta e pede 'desculpa' com teu corpo. Pede que eu aceito.
Não peças que eu também aceito.
Possuí—me e força—me a possuir, porque por muito que eu seja tua, tu não és meu.
Não aceitas as chamas, o fogo... Tens medo de te queimar.
Eu deixo—me arder e tu tens medo de te queimar...
Não tens tomates. Tens tudo e não tens tomates.
Falta—te a coragem. Tens a vontade e não tens a coragem.
Que tal entrares de rompante no meu corpo, para eu te mostrar como é bom arder?



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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.