Meu

15:13:00

À primeira vista, parecias um dos homens mais lingrinhas que já vira e à décima sétima vista eras largo, dorneado e todo meu.
Tinhas os dedos mais tortos que alguma vez conhecera e eu amava cada um deles, cada um como meu.
Tinhas o cabelo sempre desalinhado, sempre tão suave e todo ele paixão das minhas mãos. Mais uma vez, meu.
Tinhas os olhos de criança de brilho apagado e eu acendia-os sempre tão bem de tão meus que eram.
Tinhas um sorriso que eu gostava: torto, atravessado e, de novo, todo meu.
Tinhas dentes desalinhados, de cor inconstante e, mais uma vez, todos meus.
Quando percorria teu peito, parava sempre no meio, onde tinhas um osso sobressaído e circular. Disseste-me "sou todo deformado" e foi aí que me apaixonei por esse osso, que não podia ser mais do que meu.
Teu toque de menino indefeso...
Teu toque de fera agressiva...
Teu corpo pecado, tua alma ingénua
Tudo isso e ainda mais...
Meu. Tudo meu.
Como podes ser tão meu que nem me pertences?



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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.