Solto-te as rédeas. Abro-te a passagem para veres que a vida não vale a pena fora de mim e que lança demasiada luz para quem vive de olhos fechados. Vês? Livre como um pássaro e não bates as asas. Observas as pessoas cheias de frescura e não as invejas, porque não estendem as mãos enfeitadas nem te fazem bom rosto. Digo-te que o que vem de baixo não te atinge... A não ser eu, quando te faço obra do fôlego. Vias-te numa situação deplorável, até perceberes que saíste da lama para entrar num pântano. Sempre foste pessoa de tocar a vida apertando o passo e viravas páginas, caminhando na esperança de conhecer lugares que nunca irias tocar. Sempre quiseste endireitar a vida, mantendo-te de cabeça baixa. Entrei em cena, para virar as folhas por ti. Nunca joguei com cartas marcadas. Abriste fogo e fizeste questão de te tornar o meu primeiro mundo. Levaste-me na palma da mão e eu passei as minhas pela tua pele para te domar. Tomei-te o jeito e viraste-te minha. Dei-te tudo o que tinha para dar. Senti-te o terreno e fomos queimados pelo calor do momento que se fez permanente. Passei pelo fogo eterno e tu fazias-me arder mais do que qualquer Inferno. Eras uma brasa dormida, acendida com um sopro. "Quero ir embora", disseste, mudando-me a cor. E assim, solto-te as rédeas. Tens a carta branca para fazer e acontecer. "Nunca esquecerei esses belos olhos" e tu sorris, porque não és filha de Deus, mas a Deusa dele. Só assim pode ser, se deixaste de ser minha.
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