Fôlego
13:32:00Não consigo ter momentos que me tirem o fôlego.
Não percebo se é da tua ausência, mas já não sei o que é sentir as pernas a fraquejar, o ritmo irregular ou a respiração falhada.
Substituí corpos por corpos, sem nunca substituir almas por almas.
E o que faço eu se o teu corpo está ausente e a tua alma presente?
Não preciso do teu corpo para sentir, mas preciso do teu corpo para ultrapassar os limites.
Já sabes como eu sou: a menina certinha que só quer errar.
Mas é assim tão mau querer viver? É assim tão absurdo querer sentir-me viva?
Quero que o meu coração me salte do peito com um olhar
Quero que as minhas pernas caiam ao chão com um toque
Quero viver tanto, ao ponto de já não ter por onde respirar.
(Se é para morrer, que se morra a viver e não a existir
- Não quero existir)
É assim tão mau não querer existir?
Existir não me vale de nada: não permite ultrapassar os limites, porque tudo é um limite.
Então quero viver, alguém me pode permitir isso?
Quero ultrapassar linhas que não possa sequer pisar
Quero atirar-me de falésias quando não me é permitido dar um passo
Quero voar... - Há maior limite que esse?
Preciso de momentos que me tirem o fôlego!
Preciso de vida, vida, vida!
Ai, porque é que ainda estou a respirar, como o ser normal que não sou?
Inflama-me, afoga-me, faz-me sentir apenas.
Mata-me tanto, que já só é permitido sentir-me viva - pode ser?
Atirem as pedras.. Ateiem as chamas... Afoguem-me nas profundezas do ser:
E serei feliz.
(Só quero não ter fôlego)

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