Desespero
09:55:00
O que é que estás a fazer à minha cabeça?
Foste predador e eu fui a tua presa.
Correste e apanhaste-me nessa teia que fizeste,
Mas depois abandonaste-me e nunca mais cá estiveste.
Foste embora, sem uma palavra, uma despedida.
O que fiz eu? Foi culpa minha?
Deixaste-me no chão, quebrada, partida, dividida
A chorar pelas perdas que não tinha.
Devias estar aqui, era teu dever, era teu direito!
Pensas que podes tirar o que quiseres sem efeito?
Eu amei cada teu defeito!
E cada um era perfeitamente imperfeito!
Ao menos diz-me, estás satisfeito?
Quebraste o meu corpo, quebraste o meu peito.
E o passado rapta-me a cada hora,
Há pouco, amanhã e agora. Deixa-me, vai embora!
Se me abandonaste, porque não abandonas a minha mente?
Tudo o que me resta é a dor consciente
Num corpo que em nada está ciente
A não ser nas cicatrizes que carrega arduamente.
Dei-te tudo o que pude, mas não foi suficiente.
Pediste-me para eu esperar e eu fui paciente.
Esperei, esperei e esperei. Querias que esperasse mais?
Tempo é tempo e demora o seu tempo, mas foi tempo demais.
Não podia esperar, não era vida para mim.
Aliás, não era vida, porque vida não é vida sem ti.
Por isso vem correr atrás de mim, apanha-me e beija-me.
Fica e não vás mesmo que eu grite "Deixa-me!".
Faz-me arrepender de tudo, mas nunca de ti.
Tira-me o mundo e os pedaços de mim que ainda não destruí.
Peço-te que venhas, porque sei que não sou forte,
Mas sei que quando vieres vai ser o renascimento da minha morte.
Porque tu deixas-me fraca com cada palavra, cada beijo...
És tudo o que quero, o que desejo. És o meu futuro, eu prevejo.
Anda mentir-me outra vez, diz-me que me amas.
Força, incendeia-me, ateia o meu corpo em chamas!
Porque o Céu ou o Inferno é-me igual,

1 comentários
Tenho seguido religiosamente todas as tuas publicações. Para o meu ser são fontes de inspiração e uma forma de revitalização do espirito. Espero que um dia tenha a coragem para confrontar os meus medos e por fim conhecer-te,
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