As Palavras Que Ele Nunca Disse

14:48:00

   Captaste a minha atenção à primeira vista. Sentada, a ler um livro, vestida com calções e uma t-shirt e tão concentrada na tua leitura, a rires-te sozinha sem medo que te achassem louca e sempre ansiosa pela seguinte palavra escrita.. 
   Ainda me lembro da nossa primeira conversa, sentados nas escadas, falando sobre o presente e o futuro. Tínhamos tanto em comum. Quem diria que naquele presente, tu te ias tornar o meu futuro?
   Tinhas a voz tão calorosa, podia ficar a ouvir-te o dia inteiro, mas tu eras demasiado tímida, a voz falhava-te e a tua face ficava corada... Tão inocente que eras, pelo menos era o que parecias ser, porque inocentes não agem como tu, não roubam o coração ao rapaz mais inalcançável e não vão logo à caça do fruto proibido como tu foste, como Eva a dar a maçã a Adão. E conseguiste.
   Conseguiste apanhar-me nessa teia de inocência e de ousadia que teces tão bem, entre olhares sugestivos e mordidelas nos teus lábios. Não me saías da cabeça noite e dia, só pensava em ti, nesse teu cabelo castanho alourado e ondulado, nesses teus olhos acastanhados, nesses teus lábios que eu queria tanto, nesse teu corpo tão esbelto.. Eras mulher presa no tempo de uma miúda.
   Amo o teu rosto. Amo esses teus olhos castanhos de boneca que com o sol se demonstram esverdeados ou âmbar. Amo esses teus lábios tão finos e ainda mais quando eles esboçam um sorriso para mim, mostrando os teus dentes tão brancos como a lua. E tu que tens tantos sorrisos.. o atrevido, o quando te ris sem parar, o quando não consegues parar de sorrir porque estamos os dois ali, o quando te sentes protegida, o quando estás constragida ou timida... tens tantos e são todos meus. Adoro quando ficas corada, ficas tão fofa. Amo o teu cabelo, o modo como lhe estás sempre a mexer, o modo como ele é suave e muda de cor consoante a luz, passando de um castanho muito escuro, para castanho claro, ruivo, ou mesmo quase loiro. Adoro o teu pescoço, a vontade súbita que me dá de beijá-lo e de imanar o perfume tão tentador que tu usas. Amo pegar na tua mão, entrelaçar os dedos nos teus, mão grande entrelaçada numa mão pequena com dedos tão finos.. Amo pegar-te com força na cintura, agarrar-te e odeio largar-te. Amo a tua pele, amo a vontade que tu me dás de beijar e morder carinhosamente cada centímetro dela... 
   Amo o facto de não seres como as raparigas habituais. Gostas de música antiga, gostas de ler, tocas guitarra, trabalhas e não te importas de te sujar para ajudar quem for. Adoras a tua família, especialmente o teu irmão. Tens um enorme carinho por ele e por todas as restantes crianças tal como eu. Amo o facto de não ter de esperar por ti. De combinarmos algo e de não seres daquelas raparigas que nos fazem esperar uma hora por elas... Pelo contrário, tu abdicas de tudo sempre que é para estar comigo, mesmo que haja dúvidas sobre eu poder ir ou não. Chateias todo o mundo e tentas convecê-los a todo o custo só para estares uns minutos comigo. E sempre que é para estarmos juntos, lá estás tu á minha espera, porque não queres nem desperdiçar mais um segundo longe.
   Amo a nossa sintonia.. Tu sabes sempre o que eu penso, o que eu sinto... Dizemos sempre as coisas ao mesmo tempo, tal como alma gémeas, somos parte um do outro.
   E estarmos um sem o outro fisicamente é tão complicado.. Não ouvir o teu riso, a tua voz. Não olhar para ti, para esses teus olhos. Não te poder beijar, não poder cheirar o teu perfume. E não te sentir.. Não sentir a estática, a química, a ti. O mundo é demasiado incompleto, aliás, o mundo já nem existe.
   És o meu bambi, a minha pita, o meu "bby", a minha fofinha, o meu amor.. E esta diferença, esta distância não vai significar nada. Nós vamos superar tudo. Porque tu és para mim como uma filha, uma irmã, uma amiga e uma namorada.
    Eu não sei o que é o amor, eu não sei o que é isto, mas é forte e vai contra todas as regras, contra toda a razão e contra todos os pensamentos e instintos. É um sentimento tão abrassador.. Tu mostras-me todo o meu lado carnal, um lado que eu nunca conheci. Tiras-me do sério, fazes-me servo de ti e nem reparas. O quanto eu tenho de lutar contra mim para não te dar mais um beijo, te pegar ou para te levar comigo para sempre.. Não sabes o quanto custa. Tudo em mim é desejo e arde como fogo no meu corpo e, no entanto, és tu que ateias e apagas essas chamas em simultâneo.
   Nunca te disse que te amo, porque não sei o que é isso. Será isto? Porque está cá tudo e tu és tudo e eu abdicava do mundo por ti. Amo-te.
   


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.