Em que dia...

09:11:00

Em que dia me deitarei ao teu lado e não me levantarei de olheiras tatuadas? Os meus olhos decidem abrir-se para ti e negar o sono, porque se tenho o meu sonho perante mim, porque raios haveria de querer dormir?
Em que dia não te deixarei afundares-te em mim? A tua pele é o meu porto seguro, os teus lábios o meu mar agitado. Não nado contra a corrente, porque a corrente começa nas tuas mãos e o meu corpo não luta contra as profundezas almejadas.
Em que dia não te virarei as costas só para te desejar perante mim? E vens. E perguntas "Onde queres ir?" e eu responderei "A ti". E a ti irei, e a ti serei.
Em que dia não serás a calma no caos? Podemos deixar a cama caótica, os lençóis desarrumados e as respirações desalinhadas. Mas estarás lá quando adormecer e eu estarei lá para te acordar. Diz-me, quando não serás o meu certo em todo o errado?
Em que dia tirarás as tuas mãos de mim e deixarás de me despir a alma? Nunca, por favor. Cobre-me com a certeza da tua pele e enche-me a alma que nunca acreditámos que existisse.
Em que dia deixarás de me perguntar onde quero ir? Porque eu exijo e sim, exijo, que saibas que onde eu quero ir, é onde eu já estou.
Em que dia me cansarei de ti para saber que te quero cansado de mim? Faltam-me as forças para algum dia te deixar descansar de mim. O fôlego vive em nós, porque não o vivemos nós?
Em que dia não voltarei para ti, para te voltar para mim? Pegarei na tua mão para te proibir de dizer "adeus" e rodopiarei contigo para te provar que somos dois tontos entregues ao amor.
Em que dia não te perderei pelas ondas do meu corpo? Aí te encontras, eu sei. Não estás perdido, és achado.
Em que dia serei uma cética perante o divino? O teu corpo celestial apresenta-se perante mim e aí tenho a certeza da crença pela qual me ajoelho todos os dias. Quando não te beijarei como um devoto beijaria os pés de Deus?
Em que dia abrirei os olhos sem me passares pela vista? Sempre te vivi de olhos fechados, "cega de amor", dizem eles enganados, pois não sabem que te vejo melhor do que qualquer um deles. Amanhã, voltarei a abrir os olhos e ter-te-ei para me olhar.
Em que dia deixarás de ser a poesia que sai da minha boca? Todos os versos te pertencem. Escrevo-te nas linhas, sobre linhas e espero que me leias entrelinhas.
Em que dia não serás a luz dos meus olhos? Fazes-me brilhar na claridade inútil do dia, fazes-me luzir pelo escuro da noite. Para quê olhar as estrelas, quando tenho na mão a que mais brilha?
Em que dia serás um instante? És o momento mais eterno que passou por mim. E se a eternidade não tem um fim, ficas comigo para sempre? E se o sempre tiver um fim, levas-me contigo?
Em que dia serás fartura minha? Porque eu não me farto de te ter e estás escasso nos meus dedos. Em que dia não te irei percorrer com as mãos e te levarei ao meu mundo? Deixa-me tocar-te e levar-te a ti. 


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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.