Oitava Arte

05:43:00

Eras a música que tocava dentro de mim,
Melodias e sinfonias tocadas sem fim.
Eras o som que em mim ressoava,
Fazendo-me gemer entre a pele suada.

Dançáva-mos entreleçados sob o luar,
Eu via o mundo mover-se no teu olhar.
Todo o teu toque em mim era movimento
Puro, sedutor, arrasador, a cada momento.

Eu era tela branca imaculada para tu pintares,
Um corpo, todo ele nu, para contemplares.
A tinta era a tua saliva, em mim, a bradar
Eu era a obra de arte que te fazia pensar.

Esculpiste um mundo inteiro em mim,
Um mundo tão permanente como marfim.
E o frio relevo de pedra em que tocavas,
Tornava-se abrasador, onde passavas.

Foste o teatro mais verdadeiro que vi,
Num olhar, disseste tudo o que senti.
Não havia um pedaço de representação,
A mim, eras fiel e era fiel o teu coração.

Eras o livro que conhecia sem ler,
Em ti compunha-se cada acontecer.
Eras o livro que não possuia fim
Calado nos silêncios e gritos de mim.

Fomos um filme dramático sem final,
Selvagens humanos num só animal.
Tínhamos cada momento gravado em nós,
Simples, belos, prazerosos, ditos sem voz.

Éramos a oitava arte inexistente.
A arte que não existiu e não existe na mente.
O Amor é a oitava arte desaparecida,
Que em nós apareceu e reacendeu a vida.



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Márcia Filipa. Com tecnologia do Blogger.